PODCAST VII – A Mitologia Grega


Roteiro: Marcelo Júnior
Produção e narração: Marcelo Júnior
Edição: Marcelo Júnior


Trailer:


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Roteiro:

Parte 1
Os antigos gregos viviam em uma civilização politeísta, ou seja, tinham a crença em vários deuses. Na Grécia Antiga, o deus que mais se destacava era Zeus. Considerado o mais importante dentre os deuses, ele representava a justiça, a razão e a autoridade. Além dos gregos serem politeístas, seus deuses eram antropomórficos, isto é, assumiam a forma humana e agiam à semelhança dos homens, lutavam entre si, e, como os humanos, sentiam ódio, amor, se casavam e até tinham filhos.
Em relação ao casamento, vários deuses se uniram aos seres humanos mortais. Dessas uniões surgiram os heróis, considerados semideuses. Sobre seus deuses e heróis, os gregos contavam muitos mitos, que deram origem à vasta mitologia grega.
Parte 2
A mitologia grega se originou de um conjunto de relatos fantasiosos e imaginativos em que os gregos procuravam explicar, por exemplo, a origem da vida, a vida após a morte, dentre outros assuntos.
Os deuses eram homenageados por meio de jogos e competições esportivas. Desse fato, surgiram os jogos Olímpicos, que eram realizados no monte Olimpo que até então, acreditava-se ser a residência de Zeus.
No universo simbólico da mitologia grega, existiam diversos mitos, logo a seguir veremos o mito originário da ilha de Creta, a maior e mais populosa ilha da Grécia. Segundo consta nos relatos históricos, nos documentos ou vestígios deixados pelos gregos, na ilha de Creta existia um labirinto intransponível: nenhum homem que adentrou ao labirinto conseguiu encontrar a saída.
Além disso, estar perdido dentro do labirinto se tornava perigoso em razão da presença da figura mitológica do Minotauro, que ali habitava. O Minotauro, na representação mitológica, possuía o corpo humano e a cabeça de touro. Essa mitologia surgiu após a derrota de Creta para Atenas: o Minotauro se encontrava dentro do labirinto para receber oferendas que Atenas pagava a Creta todos os anos.
Sempre quando os gregos tinham problemas sérios, eles consultavam os deuses por meio dos oráculos, que interpretavam para os seres humanos o que os deuses queriam.
Parte 3
Conheça agora os principais deuses cultuados pelos gregos.
POSÊIDON
O irmão mais velho de Zeus e Hades é o deus do mar. Com um movimento de seu tridente, causa tempestades e maremotos – e sua fúria é famosa entre os deuses!
HADES
Mesmo sendo irmão de Zeus e Posêidon, não vive no monte Olimpo. Hades, como deus dos mortos, domina seu próprio território. Apesar de passar uma imagem ruim por sua “função”, não é um deus associado ao mal.
HERA
Terceira mulher de Zeus e rainha do Olimpo, Hera é a deusa do matrimônio e do parto. É vingativa com as amantes do marido e com os filhos de Zeus que elas geram. Para os gregos, Hera e Zeus simbolizam a união homem-mulher.
ZEUS
O filho mais novo de Cronos e Réia. É o líder dos deuses que vivem no monte Olimpo. Ele impõe a justiça e a ordem lançando relâmpagos construídos pelos ciclopes. Zeus teve diversas esposas e casos com deusas, ninfas e humanas
AFRODITE
O nome da deusa do amor significa “nascida da espuma”, porque diziam que ela havia surgido do mar. Afrodite é a mais bela das deusas. Apesar de ser esposa de Hefesto, teve vários casos – com deuses como Ares e Hermes e também com mortais.
HEFESTO
Filho de Zeus e Hera, Hefesto nasceu tão fraco e feio que foi jogado pela mãe no oceano. Resgatado por ninfas, virou um famoso artesão. Impressionados com o talento dele, os deuses levaram Hefesto ao Olimpo e o nomearam deus do fogo e da forja.
APOLO
O deus da luz (representada pelo Sol), das artes, da medicina e da música é filho de Zeus com uma titã, Leto. Na juventude, era vingativo, mas depois se tornou um deus mais calmo, usando os poderes para cura, música e previsões do futuro
ARES
O terrível deus da guerra é outro filho de Zeus e Hera. No campo de batalha pode matar um mortal apenas com seu grito de guerra! Pai de vários heróis que são humanos protegidos ou filhos de deuses -, Ares ainda se tornou um dos amantes de Afrodite
ARTEMIS
Irmã gêmea de Apolo, é a deusa da caça, representada por uma mulher com um arco – contraditoriamente, também é a protetora dos animais… Artemis é uma deusa casta (virgem), que fica furiosa quando se sente ameaçada
HERMES
Filho de Zeus com a deusa Maia, o mensageiro dos deuses é o protetor de viajantes e mercadores. Representado como um homem de sandálias com asas, Hermes tinha um lado obscuro: às vezes trazia mentiras e falsas histórias
ATENA
É a deusa da sabedoria e filha de Zeus com a primeira mulher dele, Métis. Seu símbolo é a mais sábia das aves, a coruja. Habilidosa e especialista nas artes e na guerra, Atena carrega uma lança e um escudo chamado Égide
Parte 4
Segundo a mitologia, O Mundo surgiu graças ao titã Cronus, depois derrotado por Zeus
O mundo mitológico grego tem início com o casal Urano e Gaia. Urano (o céu) permanecia unido a Gaia (a terra) em um ato de reprodução constante. Dessa união nasceram os titãs, que não conseguiam sair do ventre de Gaia. Infeliz com os filhos aprisionados, Gaia ajudou um deles, Cronus, a castrar o pai. Com isso, Urano se separou de Gaia, uma metáfora que simboliza o surgimento do mundo após a separação entre o céu e a terra.
Depois que Cronos, o mais jovem dos Titãs, mutilou seu pai, Urano, e tomou seu lugar no trono do universo, casou-se com a Titânide Réia e teve seis filhos, os deuses Zeus, Poseidon, Hades, Hera, Héstia e Deméter. Como um oráculo havia lhe profetizado que um de seus filhos o destronaria, eles os devorava à medida que nasciam. Entretanto, quando Zeus nasceu, Réia o entregou as ninfas, e, em seu lugar,deu uma pedra para o marido devorar. Então, já adulto, Zeus se disfarça e entrega uma poção a Cronos, que o faz vomitar seus irmãos e irmãs, já adultos. Apoiado por seus irmãos, irmãs, pelos Ciclopes(que fizeram os raios de Zeus, o tridente de Poseidon e o elmo de Hades) e pelos Hecatônquiros que eram Gigantes com 100 braços e 50 cabeças), Zeus começou a grande e sangrenta Guerra dos Deuses contra os Titãs. Nem todos os Titãs apoiaram Cronos nessa Batalha. Foram eles: Oceano, Tétis, Mnemósine, Prometeu e Têmis.

Parte 5
No primeiro ataque, Zeus no topo do monte olimpo joga um raio mortal nos titãs nesse momento todo o planeta treme. De um lado os Hecatônquiros arrancando pedras da montanha e jogando nos titãs. E de outro os titãs lutando com os demais deuses. Depois de anos de guerra, os olimpianos já estavam chegando na vitória, mas os titãs usam sua ultima arma ao seu dispor, das profundezas do tártaro sai uma besta colossal e sombria, Tifón, uma criatura extremamente forte que desafia Zeus, um ultimo desafio para os deuses reinar o universo. Horas se passaram de luta entre Tifón e Zeus, Zeus domina a luta e com um raio muito forte, acerta Tifón, que cai de novo nas profundezas no tártaro, então Zeus se torna o rei do universo. Depois de vencerem, os Deuses Olimpianos esquartejam Cronos com sua foice, jogam seus restos mortais no Tártaro e banem os Titãs que ajudaram Cronos na guerra para o Tártaro também.
Parte 5.1

A Guerra entre os Deuses e os Titãs durou dez anos. Depois disso, a Terra foi divida entre os Três Grandes Deuses, Zeus, Poseidon e Hades. Zeus ficou com o céu e a terra, Poseidon com os mares e Hades ficou com o submundo e tudo que fica debaixo da terra.

Parte 6

O MUNDO DOS MORTOS
Território de Hades tem regiões celestiais e infernais
Na mitologia, a alma dos mortos vai para o mundo subterrâneo, governado por Hades. Para entrar, é preciso pagar o barqueiro Caronte, que faz a travessia do rio Estige. Por isso os gregos enterravam os mortos com uma moeda. No submundo de Hades, o morto é julgado por três juízes. Os que viveram uma vida correta são premiados e seguem para uma região chamada Campos Elíseos, uma espécie de paraíso, cheio de paisagens verdes e floridas.
Mas o mundo subterrâneo também tem regiões sombrias… Os gregos que não seguem uma vida correta na vida como mortal têm como destino o Tártaro. Equivalente ao inferno cristão, ele é um poço profundo, quase sem fim, escuro, úmido e frio.
Parte 7* – Romances – Trilha sonora
Na mitologia grega, o destino nem sempre é gentil com os amantes. Muitas das histórias de amor mais famosas no mundo dos mitos acabam em total desgraça. Moira, a deusa do destino – uma das filhas de Nyx, a Noite -, era uma divindade mais antiga e mais poderosa que o próprio Olimpo: ninguém contestava as suas decisões e nem mesmo Zeus podia contrariá-la. Além de potente, Moira era misteriosa e indecifrável. “Os antigos gregos acreditavam que as fatalidades e os sofrimentos eram inevitáveis e podiam se abater sobre qualquer um. O que realmente importava era a forma como o ser humano se comportava diante das dores da vida”.
Isto se torna uma representação da fragilidade da condição humana. Mesmo os heróis mais fortes e prósperos podem terminar a vida na desgraça. E as mais belas paixões rapidamente se transformam em sangue e cinza. Agora você vai conhecer alguns dos amores mais malfadados da mitologia grega.
Parte 8
1. Medeia e Jasão
Ela era a neta do Sol e a favorita das trevas. Ele era um príncipe sem trono, em busca de glória nos confins do mundo. O amor entre ambos foi um dos mais intensos em toda a mitologia grega – e também um dos mais sangrentos.
O encontro aconteceu nas profundezas de um bosque escuro, junto a um altar de Hécate, a temível deusa das bruxas. Achando estar sozinha, a princesa Medeia acabava de fazer uma oferenda à sombria divindade. Filha de Aetes, rei da Cólquida, e neta de Hélios, o deus do Sol, Medeia era uma das feiticeiras mais poderosas do mundo antigo. Entre seus poderes, estava o dom de falar com os animais, acalmar ou invocar tempestades e erguer ondas gigantes no mar.
Medeia escutou um ruído entre os arbustos e voltou o rosto. Por um instante, a feiticeira ficou sem palavras. Um rapaz de físico perfeito a observava. Tinha cabelos compridos, duas espadas na cinta, e uma pele de leopardo amarrada ao redor do corpo. Imediatamente, Medeia sentiu que seu destino estava ligado para sempre àquele homem. Estava terrivelmente apaixonada.
O jovem herói lançou-se aos pés da bela bruxa. Contou sua história – e implorou ajuda. Chamava-se Jasão e era filho de Éson, o rei destronado da cidade de Iolcos, na Tessália. O trono fora roubado pelo irmão de Éson, o inescrupuloso Pélias. Quando Jasão, o legítimo herdeiro, exigiu o que lhe era devido, o usurpador lhe respondeu com um desafio aparentemente impossível:
Parte 8.1
“Eu lhe darei o trono quando você me trouxer o Velocino de Ouro”.
Parte 8.2
O Velocino era um artefato feito com a lã do fabuloso Carneiro Dourado. Filho de Poseidon e da mortal Teofane, a mágica criatura tinha inteligência humana e voava como um pássaro. Após sua morte, virou a constelação de Áries. Com sua lã dourada, foi confeccionado um manto belíssimo e refulgente, que se tornou um dos tesouros mais cobiçados do mundo mitológico. O mirabolante prêmio estava guardado em um jardim no palácio de Aetes – pai de Medeia -, sob a mirada infalível de um dragão de escamas verdes, que jamais dormia.
Para cumprir o desafio, Jasão reuniu uma tropa com os 50 maiores heróis gregos da época. E embarcou no Argos, o maior e mais famoso navio dos tempos míticos. Entre os tripulantes do Argos – chamados de Argonautas – estavam o músico e poeta Orfeu; Héracles, o maior dos mortais; o príncipe da Calidônia; e a princesa-guerreira Atalanta, da Arcádia. E lá se foram os Argonautas em direção à distante Cólquida, onde hoje fica a região do Cáucaso.
Parte 8.3
Mas a tripulação heroica não era o maior trunfo de Jasão. Antes de começar a jornada, ele havia feito um sacrifício em um templo de Afrodite, suplicando sua ajuda. A deusa do amor decidiu proteger e auxiliar o herói na busca pelo Velocino. Por isso, Medeia se apaixonou à primeira vista: era o poder de Afrodite agindo sobre ela. Em frente ao altar de Hécate, os dois jovens se beijaram e fizeram amor. Em seguida, Jasão prometeu casar-se com Medeia. Dominada pela paixão, ela decidiu abandonar pátria e família, e passar o resto da vida com aquele homem que acabara de conhecer. A princesa entregou ao amante um frasco negro, contendo uma poção feita com as águas do Letes, um dos rios que corriam no inferno. Algumas poucas gotas foram o suficiente para fazer o terrível dragão insone adormecer. Jasão rapidamente apanhou o artefato de lã dourada e, naquele mesmo dia, o Argos zarpava de volta à Grécia.
Nem bem chegaram lá, contudo, aquele amor cheio de proezas começou a mergulhar nas trevas. Mesmo após a conquista do Velocino, Jasão não conseguiu o trono que desejava. O povo de Iolcos desconfiava dele – não por ser um estrangeiro, mas por ter se casado com uma feiticeira. Os Argonautas se dispersaram pela Grécia e Jasão, ainda sem trono, foi viver em Corinto – o rei da cidade, Creonte, era seu amigo. Jasão ainda amava Medeia, e já tivera com ela dois filhos, Mêrmeros e Feres. Mas sua ambição política foi maior que a paixão. Quando Creonte lhe ofereceu a mão de sua filha Creúsa – e um posto no governo da cidade -, Jasão decidiu que era tempo de se separar de sua companheira de aventuras: ordenou que Medeia fosse embora e renegou os próprios filhos.
Medeia fingiu aceitar a rejeição: mostrou-se dócil e chegou a oferecer a Creúsa um belo vestido de casamento. Mas uma seguidora de Hécate jamais deixa uma ofensa passar em branco. No dia do casamento, ao colocar o vestido sobre o corpo, Creúsa soltou um grito de horror: o tecido grudou-se em sua pele e se transformou em fogo. Horrorizado, Jasão viu a noiva se transformar em uma chama viva. De espada desembainhada, correu até a casa onde Medeia vivia com os filhos. Mas, ao chegar lá, deparou-se com uma imagem além do pesadelo mais cruel – uma das cenas mais brutais que a mitologia grega nos legou. Coberta de sangue, Medeia segurava nos braços os corpos degolados de Mêrmeros e Feres – que ela mesma havia matado.
Um clarão ofuscou os olhos perplexos de Jasão: era a carruagem de Helios, o Sol, que viera buscar sua neta. Com os corpos dos filhos, a feiticeira subiu aos céus.
Parte 8.4
“Contempla os filhos que eu mesmo apunhalei, para destroçar teu coração!” “E tuas desgraças não estão completas, Jasão: espera até chegar tua velhice”.
Parte 8.5
A profecia de Medeia se cumpriu. Depois de vagar pela Grécia durante anos, Jasão morreu amargurado, velho e sozinho, deitado sobre as areias de uma praia.
Parte 9
2. Édipo e Jocasta
A desventurada história de Édipo, rei de Tebas, foi uma cruel obra-prima de Moira: cada momento da vida dele estava meticulosamente encadeado, numa equação cujo único resultado possível era o infortúnio. Sua vida foi uma minuciosa tragédia.
Édipo era príncipe de Corinto e filho de Pólibo – ou, pelo menos, era isso o que ele pensava. Um dia, o príncipe visitou o oráculo de Delfos com a inocente intenção de conhecer seu futuro. Mas o que ouviu dos lábios da pitonisa, no templo de Apolo, foi a promessa de um pesadelo: “Você matará seu pai e casará com a própria mãe”.
Horrorizado, Édipo fugiu de Corinto. Decidiu afastar-se o máximo possível de Pólibo e Periboeia, para que a profecia jamais se cumprisse. O que Édipo não imaginava é que aqueles eram apenas seus pais adotivos: eles o haviam encontrado quando ainda era bebê, abandonado em um cesto no mar. Tentando fugir do destino, Édipo vagou pela Grécia. Certo dia, entrou em um desfiladeiro. Andava por uma estrada muito estreita, quando se deparou com um arrogante desconhecido, que vinha chicoteando cavalos em uma carruagem. O homem ordenou que Édipo saísse de seu caminho. Irritado com o tom de voz do sujeito – cujo rosto, no entanto, lhe era estranhamente familiar -, o orgulhoso jovem se recusou a obedecê-lo. Furioso, ele tentou atropelar Édipo. O rapaz desviou-se do ataque e, com a lança, derrubou o desconhecido do carro. Depois, amarrou as rédeas aos pés do homem, chicoteou os cavalos e fez com que os animais o arrastassem até a morte.
Édipo continuou viajando por algum tempo. Finalmente, chegou à cidade de Tebas, que estava sendo assolada pela Esfinge, filha de Tifão e Équidna. O monstro – que tinha cabeça de mulher, corpo de leão e asas de águia – havia pousado nas vizinhanças da cidade, junto a um despenhadeiro. Ali, lançava a todos os viajantes um enigma: “Qual é o animal que anda com quatro pernas pela manhã, com duas à tarde e com três à noite?” Quem não respondesse era destroçado e devorado na hora. Muitos viajantes já haviam morrido nas garras da Esfinge.
Mas o recém-chegado Édipo matou a charada sem pestanejar. “É o homem – que engatinha quando criança, anda com firmeza quando adulto e precisa de uma bengala quando velho”. A temperamental Esfinge não suportou a derrota: pulou no precipício e se destroçou nas rochas lá embaixo.
Por ter derrotado o monstro, Édipo foi aclamado rei de Tebas. O antigo soberano da cidade, Laio, havia partido algum tempo antes em uma viagem a Delfos – queria perguntar ao Oráculo como poderia se livrar da Esfinge. Mas Laio desapareceu no caminho, e agora todos já o davam por morto. O novo rei casou-se com a linda rainha viúva, Jocasta. Tudo parecia bem – e Édipo chegou a acreditar que havia escapado à sombra de Moira. Mas o punho do destino tombou de repente sobre ele, e a tragédia se completou de forma cruelmente memorável.
Parte 9.1
Uma praga terrível começou a dizimar a população de Tebas. Na Grécia, pestilências súbitas eram sempre vistas como castigo divino. Um dia, em meio às ruas cheias de gemidos, surgiu um viajante cego, apoiado em um cajado. Era Tirésias, o maior vidente da Grécia. Por ordem dos deuses, ele vinha revelar a Édipo a terrível verdade. O homem que o jovem herói havia matado no desfiladeiro era Laio – que, além de ser o legítimo rei de Tebas, era o verdadeiro pai de Édipo. Anos antes, uma profecia garantira que Laio seria morto por seu próprio filho. Por isso, o soberano ordenara que o menino fosse abandonado em um local selvagem. Mas tudo fazia parte do terrível plano traçado por Moira. Por mais que tentasse fugir ao destino, Édipo não apenas matara Laio, como havia se casado com sua própria mãe, Jocasta.
Horrorizada com a revelação, a rainha se enforcou. Édipo furou os próprios olhos com um broche, abandonou Tebas e vagou durante o resto da vida pela Grécia, perseguido pelas Erínias – as terríveis divindades infernais, que puniam com a loucura aqueles que derramavam o sangue da própria família. Na Grécia mitológica, não havia distinção entre crimes propositais e involuntários: era preciso pagar por todas as faltas, mesmo as cometidas sem querer. “Contemplem agora Édipo, o herói que derrotou a Esfinge, e que foi tão poderoso e altivo! Vejam a tempestade de terror que o engoliu!”, escreveu Sófocles ao final de sua peça. “E que nenhum ser humano se considere totalmente feliz, até haver chegado, sem os dolorosos golpes do destino, ao último dia de sua vida”.

Um agradecimento especial aos patronos do Mistérios Literários.
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Eu sou Marcelo Júnior, e a você que escuta mais um episódio, o meu muito obrigado e um grande abraço.

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