Podcast VIII – SS Ourang Medan


Vozes: Marcelo Júnior / Rosângela Pacheco
Roteiro: Marcelo Júnior
Edição: Marcelo Júnior


Trailer:


Roteiro:

Parte 1
Junho de 1947
Um dos maiores mistérios marítimos de todos os tempos.
Segundo algumas fontes os navios que atravessavam a rota marítima do estreito de Malaca, entre a costa de Sumatra e Malásia, afirmaram captar um pedido de socorro seguido por um código morse. Um operador de rádio a bordo do navio informou de que o capitão e todos os oficiais do navio haviam morrido, e sugeriu que parte ou a totalidade da tripulação também poderia ter sido assassinada. O operador de rádio estava claramente agoniado e terminou sua transmissão de forma enigmática:
“…Todos os oficiais entre eles o capitão morreram na sala de comando. Possivelmente toda a tripulação está morta…” Esta mensagem foi seguida por um trecho de um indecifrável código Morse e em seguida,
“Eu …Morro”
O tenebroso pedido de auxílio foi captado por dois navios norte-americanos e também por postos de escuta britânicos e holandeses. Os homens que trabalhavam nos postos no momento em que a mensagem foi recebida, conseguiram triangular a fonte daquela emissão e deduziram que provavelmente se tratava do cargueiro holandês SS Ourang Medan, que estava navegando no estreito de Malaca.
Um barco mercante americano chamado Silver Star era o mais próximo da suposta localização do Ourang Medan. Compreendendo a urgência da mensagem, o capitão e a tripulação do Silver Star não demoraram, em mudar de rumo, em um esforço para auxiliar o SS Ourang Medan. Em questão de horas, divisaram o Ourang Medan subindo e baixando nas agitadas águas do Estreito de Malaca.
À medida que o Silver Star se aproximava da misteriosa embarcação, a tripulação percebeu que não havia nenhum sinal de vida no convés. Os norte-americanos tentaram contatar com a tripulação holandesa por meios sonoros e luminosos, mas nenhuma das tentativas de contato obtiveram resposta. Foi então quando o capitão do Silver Star decidiu reunir uma equipe de abordagem. Os marinheiros escolhidos para abordar o navio Holandês não faziam nem ideia de que estavam a ponto de entrar em um dos maiores enigmas navais de todos os tempos.
Parte 2
Tão logo subiram a bordo do Ourang Medan, rapidamente perceberam que os chamados de socorro não eram um exagero. O convés estava cheio de cadáveres da tripulação holandesa, cujos olhos e seus braços pareciam olhar e agarrar os seus agressores invisíveis e em seus rostos petrificados permaneceram as suas última expressões terríveis de agonia e terror. Inclusive o cachorro, mascote do navio, estava morto paralisado em uma posição de intimidação e um horrível rosnado petrificado em seu rosto.
A equipe de abordagem encontrou os restos do capitão na ponte de comando, enquanto os cadáveres de seus oficiais estavam em diferentes locais.
O oficial de comunicações ainda estava em seu posto, com suas mãos descansando sobre o telégrafo. Todos os cadáveres, segundo os relatórios, tinham os olhos muito arregalados e que era nitidamente possível ver o pânico em cada um deles.
Enquanto desciam aos depósitos do navio, os membros do grupo de busca seguiam encontrando cadáveres, no entanto, o mais inquietante para os membros da tripulação norte-americana, foi que afirmaram ter sentido um frio extremo no ponto mais baixo do porão, apesar de que a temperatura no exterior eram 40°C. A equipe norte-americana não encontrou evidências do motivo das mortes da tripulação do mercante Holandês, em seus corpos não haviam marcas de combate e não apresentavam nenhuma evidencia do porque haviam morrido. E também não existiam danos no casco do navio.
O capitão do Silver Star decidiu rebocar o Ourang Medan até o porto mais próximo, mas assim que a equipe enganchou o cabo de reboque ao barco holandês, notaram a presença de fumaça que saía dos porões do navio, especificamente do depósito numero 4.
O grupo de abordagem mal teve tempo de soltar o cabo de reboque e voltar ao Silver Star antes que o Ourang Medan explodisse com tanta força que se ergueu da água e afundou rapidamente em questão de minutos.
A tripulação viu o barco holandês desaparecer sob as águas, sem dúvida todos suspiraram aliviados de que o cabo de reboque não tivesse arrastado eles também às profundezas.
Ao afundar, o Ourang Medan levou consigo toda a prova do barco, de sua carga e do que aconteceu com ele, entrando no reino dos mitos e lendas. Isso fez com que o navio se tornasse um dos maiores mistérios marítimos da era moderna.
 
Parte 3
Primeiras Publicações Sobre o cargueiro Ourang Medan diziam que O nome do navio que o encontrou  nunca foi mencionado, e o local do encontro é descrito como a 400 milhas náuticas a sudeste das Ilhas Marshall.
Os 2 últimos artigos parece que foram deliberadamente ignorados pelos propagadores da historia, já que descrevem as experiências de o único sobrevivente da tripulação Ourang Medan, que foi encontrado por um missionário e nativos nas ilhas Marshall.
O homem, antes de morrer, diz o missionário que o navio, estava transportando uma carga mal acondicionada de ácido sulfúrico, e que a maioria da tripulação morreram por causa das emanações venenosas que escapam de recipientes quebrados. De acordo com a história, o Ourang Medan estava navegando a partir de um pequeno porto chinês anônimo para a Costa Rica, deliberadamente evitando as autoridades. O sobrevivente, um alemão não identificado, morreu depois de contar a sua história para o missionário, que deu continuidade a história.
O jornal holandês conclui com um aviso:
Parte 4  
“Esta é a última parte de nossa história sobre o mistério da Ourang Medan. Temos de repetir que não temos quaisquer outros dados sobre este “mistério do mar”. Também não podemos responder às muitas perguntas não respondidas na história. Pode parecer óbvio que este é um romance emocionante do mar. Por outro lado, o autor, Silvio Scherli, nos assegura a autenticidade da história.”
Agora, a mais antiga referência conhecida em Inglês para o navio e o incidente é de maio 1952 e foi publicada nos Anais do Conselho da Marinha Mercante, publicado pela Guarda Costeira dos EUA.
Parte 5 *gravar*
O autor e historiador Roy Bainton, foi quem fez algumas das mais completas investigações sobre o Ourang Medan, publicando sobre o navio no livro “O gigantesco universo de fenômenos inexplicados: da biologia bizarra à astronomia inexplicável – Com o título traduzido para o português”. Baseando-se neste livro, podemos ter certeza de alguns fatos importantíssimos no desenvolvimento da história.
Roy Bainton conseguiu descobrir que o Silver Star realmente existiu. Ele foi construído em 1942 com o nome de Santa Cecilia. Mais tarde foi rebatizado de Silver Star e novamente nomeado Santa Juana, vindo a ser desmantelado em 1971.
É bom frisar portanto que o barco mercante não chamava Silver Star na época do resgate do Ourang Medan, em 1947, mas sim Santa Cecilia.
Parte 6
Outro fato importante  era que Alguns pesquisadores especularam que se o Ourang Medan era um barco real, possivelmente procederia de Sumatra, que naquele momento era uma colônia holandesa conhecida como as Índias Orientais Holandesas. “Ourang” em indonésio significa “homem” e ” Medan” é a maior cidade da ilha de Sumatra, o nome desse cargueiro seria “Homem de Medan.” Mas, enquanto a etimología de seu nome poderia dar alguma pista quanto a sua origem, não existem registros oficiais do Ourang Medan.
Roy Bainton, em suas investigações sobre o Ourang Medan, encontrou becos sem saída em sua busca pela verdadeira história do navio. Ele pesquisou em diversos locais para ver se havia alguma referência a SS Ourang Medan.
Justo quando estava a ponto de abandonar sua investigação, Bainton conheceu o professor Theodor de Essen, Alemanha, que havia estado pesquisando o caso durante os anos 50 e foi o primeiro em revelar os nomes dos dois barcos norte-americanos que haviam captado os pedidos de socorro do Ourang Medan.
Ele entregou a Bainton uma brochura de 32 páginas em alemão escrito em 1954 por Otto Mielke, intitulado “barco da morte no Mar do Sul”. Mielke parecia saber muito sobre a possível rota do Ourang Medan, a carga, a tonelagem e a potência do motor e inclusive, ao que parece, o nome do capitão.
A brochura de Mielke dá também a data de junho de 1947 e adiciona outra peça importante ao quebra-cabeças; a suspeita de que na adega nº 4 do Ourang Medan poderia haver uma carga ilegal e altamente perigosa. De acordo com Bainton:
“… Há uma explicação tentadora para o desaparecimento físico do barco e seu sumiço nos registros. Mielke menciona um carregamento misto, muito letal no barco, que talvez seria Cianeto de potássio) e nitroglicerina”.
Nem é preciso dizer que isso seria uma mistura bastante perigosa em um laboratório com os protocolos de segurança mais altos, mas em uma adega de carga de um barco em mares agitados seria um pesadelo, isto poderia explicar a morte terrível da tripulação holandesa e a posterior explosão do barco.
O professor também mencionou outro detetive marinho, Alvar Mastin, um alemão que morava na cidade de Hull, Inglaterra, na década de 1950 e que também procurava o navio holandês afundado.
Parte 7
 
O professor diz a Bainton que Mastin repetidamente tentou obter informações da Grace Lines, proprietária do Silver Star localizada em Nova Iorque, sobre a lista da tripulação e do livro de registros, mas recebeu apenas o silêncio como resposta.
O próprio Bainton então fez várias tentativas para ver se encontrava algum membro vivo da tripulação do Silver Star, sem sucesso.
Parte 8
Algumas Teorias do que Aconteceu com Ourang Medan surgiram tempos depois
Uma das especulações eram um Ovni: O excepcional pesquisador do “Experimento Filadelfia”, acredita que a tripulação do Ourang Medan poderia ter sido atacada por extraterrestres, por razões desconhecidas…
Outra especulações são: Fantasmas: Outros excepcionais entusiastas teorizam que a tripulação holandesa poderia ter tido um encontro com fantasmas do mar. Os apoiadores da opção do paranormal utilizam para confirmar sua teoria, as expressões nos rostos dos marinheiros mortos e o frio anormal no porão de carga…
Esta são especulações muito improváveis  e soam mais a histórias contadas por marinheiros aos seus filhos. Por conseguinte, se no momento descartamos extraterrestre e fantasmas, então podíamos estar tratando com Causas naturais: Uma dessas teorias explica que a tripulação poderia ter sido asfixiada por uma nuvem de gás metano que brotaria a partir de uma fissura no fundo do mar e envenenaria os marinheiros. Esta explicação poderia ser válida se não fosse levada em conta a explosão descrita pela tripulação do Silver Star. Portanto, se as plumas de metano não foram as responsáveis pela tragédia, então poderia se tratar de um considerável acidente.
O autor Vincent Gaddis, em seu livro de 1965 “Invisible Horizons“, propôs a possibilidade de que um incêndio ou a avaria no sistema da caldeira do navio poderia ter sido responsável pelo desaparecimento da embarcação.
Afirmou que o monóxido de carbono poderia ter se infiltrado causando à morte de todos a bordo, enquanto o fogo crescia lentamente pelo tempo suficiente de inflamar o combustível e provocar a explosão que afundou por inteiro a embarcação.
Parte 9
Ainda temos a Teoria da Unidade 731
Ainda mais aterrador, de acordo com Bainton, é a hipótese de que o Ourang Medan poderia estar carregando contrabando de gases de nervos ou armas biológicas fabricadas por cientistas japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Essas armas teriam sido fabricadas pela unidade 731, que estava sob o comando do bacteriológico japones, Shiro Ishii.

A unidade 731, unidade 1644 e unidade 100, foram projetadas para a investigação e desenvolvimento de armas químicas e biológicas para assegurar a vitória do Japão contra qualquer inimigo em potencial.Ishii estabeleceu a Unidade 731 na China durante a Segunda Guerra Sino-japonesa, foi ali onde os cientistas de sua divisão levaram a cabo alguns dos experimentos biológicos mais abomináveis conhecidos pela humanidade durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa unidade secreta utilizou seres humanos – incluindo mulheres e crianças – em seus experimentos cruéis, que incluíram de tudo, de exposição a temperaturas abaixo de zero a estudar os efeitos de substâncias tóxicas no corpo humano.

Agora de fato o que ocorreu com o o famoso cargueiro SS Ourang Medan, talvez nunca saberemos então teremos que nos contentar, somente com hipóteses e  especulações.
Parte 10

Um agradecimento especial aos patronos do Mistérios Literários.

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Eu sou Marcelo Júnior, e a você que escuta mais um episódio, o meu muito obrigado e um grande abraço.
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