terça-feira, novembro 13, 2018

Dependência Química- Cocaína

A droga estimula os receptores relacionados ao clímax do prazer no cérebro e causa uma euforia extremamente elevada, cujo pico pode ser observado em cerca de três minutos após o uso, o que favorece bastante um aumento de utilização, e estimulação da dependência da droga.

A cocaína é utilizada na forma de sal (cloridrato), podendo ou não ser adjunta a outras substâncias capazes de elevarem os efeitos da mesma. O sal é facilmente absorvido por mucosas e em alguns casos pode ser administrado por via endovenosa. A droga estimula os receptores relacionados ao clímax do prazer no cérebro e causa uma euforia extremamente elevada, cujo pico pode ser observado em cerca de três minutos após o uso, o que favorece bastante um aumento de utilização, e estimulação da dependência da droga.

Os usuários buscam incessantemente o prazer disponibilizado pelo uso da droga, gerando crises de abstinências terríveis, sendo impossível abandonar essa realidade por conta própria, sem uma ajuda médica. O dependente químico nunca sofre sozinho, inicialmente pensava-se que o tratamento deveria ser somente com o usuário, mas a proposta recente de tratamento dessa população dispõe de uma reflexão terapêutica, cujo olhar deve ser em todos os aspectos da vida do paciente, tendo a família assim, um papel importante na recuperação do indivíduo.
METODOLOGIA
O estudo trata de uma revisão integrativa da literatura, sendo adotados como critérios de inclusao, os artigos completos dísponíveis em língua portuguesa na base de dados no período de 2014-2018, e que corroboram com os objetivos estabelecidos.
A busca se deu na Biblioteca Virtual da Saúde Regional (BVS Regional), no mês de Maio de 2018, na qual foram utilizados os descritores: dependência, cocaína e enfermagem, resultando em 168 trabalhos, que após os critérios de inclusão e exclusao, selecionou 5 artigos para análise.

Estereótipos de Gênero perante os usuários de cocaína
Estudos revelam que a incidência de usuários de cocaína e outras drogas similares são maiores nos homens, se comparado com as mulheres. São geralmente encontradas no cenário de utilização de drogas ilícitas, mulheres com idade média de 29,6 anos de etnia negra e com baixa escolaridade. Ficam evidenciados, predominantemente, mais relatos de violência sexual contra mulheres, do que contra os homens, por conta de muitas vezes exercerem trabalhos sexuais em troca de dinheiro, ou até mesmo em troca da droga propriamente dita. Os preconceitos e discriminações são enfrentados no cotidiano de suas ações, sendo somado aos problemas decorrentes de uma vida promiscua através do uso excessivo de drogas, sexo e álcool, desencadeando uma onda de distúrbios comprometedores a saúde dos usuários.
É bastante notório o quão algumas mulheres são dependentes afetivamente de seus companheiros, e isso ocasiona um impacto sobre seu estado psicossocial. Muitas vezes por ‘’amor’’ a mulher inicia um vício no mundo das drogas. Outras vezes as mulheres acabam sendo obrigadas a utilizar a droga por conta de o marido exercer um papel dominante perante a esposa. O número de tentativas de suicídio é muito maior nas mulheres do que nos homens, devido uma série de fatores correlacionados com problemas de aceitação em sociedade, dependência afetiva, etnia dentre outros. Enquanto taxas de suicídio propriamente dito são maiores nos homens.
Tratamento diante de usuários de cocaína
O país passou a ser o maior mercado de consumo de cocaína na América do Sul, além de ser uma ótima rota para o tráfico de drogas por conta de sua favorecida posição geográfica. Saneamento básico, escolaridade e educação são fatores que contribuem para um menor índice de usuários de cocaína e substancias parecidas.
Os transtornos ocasionados pelo consumo de drogas ilícitas possuem um papel impactante na saúde e na vida dos usuários e familiares. Diversos problemas ficam evidenciados com o uso de drogas proibidas, sendo em muitos casos um fator determinante para ocasionar óbitos.
Em 2002 o SUS (Sistema Único de Saúde) ganhou um novo programa em virtude dos usuários dependentes de droga. O Programa Nacional De Atenção Comunitária Integrada aos Usuários de Álcool e outras Drogas visa à reabilitação e a reinserção social da população usuária desse tipo de substância através de ações de promoção, prevenção, proteção da saúde e educação dos dependentes.
O tratamento nessa população usuária de cocaína e substancias parecidas deve manter um direcionamento de cunho mental, ampliado e fundamentado na avaliação de possíveis patologias e sintomas relacionados a pensamentos suicidas. Como dito anteriormente, o número de homens viciados em drogas ilícitas é mais elevado do que o número de mulheres Em muitos centros de tratamento não existe ala feminina ou mista, o que inviabiliza o acesso das mulheres em uma unidade de internação. O recurso terapêutico deve contemplar um modelo biopsicossocial, ou seja, deve conter um olhar Holístico, cujo foco não está somente nos recursos orgânicos e psíquicos dos pacientes, mas também na visão social, política, econômica e cultural. Os fatores mencionados anteriormente influenciam no processo de aumento do quantitativo de usuários de drogas, sendo um fenômeno multifatorial.

Pensamento suicida nos usuários de cocaína

O suicídio aparece evidenciado entre as principais causas de morte no mundo, estando o Brasil dentro da listagem dos 10 primeiros países. Os usuários de drogas se enquadram em uma população considerada de risco, e o número de pessoas que cometem suicídio dentro do grupo vem aumentando consideravelmente nos últimos tempos.
É importante o profissional de saúde compreender a complexidade dos diversos fatores psicossociais e emocionais que abrangem um pensamento e/ou comportamento suicida. Esse fato reforça a necessidade e importância da avalição clínica e de métodos eficazes na precaução dessa questão que já se encontra nas esferas de saúde publica. Os problemas clinicamente significativos surgem da escala da abstinência, depressão e os de pensamento (aceitação social, dependência afetiva, dentre outros). Alguns usuários utilizam a cocaína de forma combinada com outra substância como estratégia de restringir os efeitos negativos do momento de abstinência. A combinação entre cocaína e crack, por exemplo, garante um efeito mais prolongado e intenso da ação da droga no organismo. Os indivíduos que consomem quantidades elevadas de substancias psicoestimulantes como a cocaína, podem apresentar alguns sintomas decorrentes do processo de abstinência como: fadiga, anorexia, psicoses, convulsões, alucinações e pensamentos suicidas.CONSIDERAÇÕES FINAIS
O cuidado do enfermeiro com o usuário é essencial para o restabelecimento da saúde nos casos de dependência química Através dos diagnósticos, intervenções e avaliações dos resultados, podemos chegar a uma melhora no quadro clínico. Medidas de prevenção e no controle são primordiais para a redução no número de casos.
A visão holística é um fator primordial, juntamente com a comunicação preventiva dos profissionais do campo da saúde, em casos que envolvam dependentes de cocaína. A incidência de usuários com uma vida completamente estabilizada é muito menor do que aqueles que já crescem em um meio precário no que diz respeito à saúde, educação e saneamento básico. É minimamente notória a presença de indivíduos com formação superior e indivíduos estabilizados profissionalmente (funcionário público, bancário, entre outros) nos centros de atenção psicossociais (CAPS)

REFERÊNCIAS
Érika Barbosa De Oliveira Silva, Adriana Lenho De Figueiredo Pereira, Lúcia Helena Garcia Penna, Estereótipos de gênero no cuidado psicossocial das usuárias de cocaína e crack, Cadernos De Saúde Pública, 2018.
Dhiordan Cardoso Da Silva, Andressa Celente De Ávila, Marina Balem Yates, Milton José Cazassa, Felipe Bello Dias, Márcia Henrique De Souza, Margareth Da Silva Oliveira, Sintomas psiquiátricos e características sociodemográficas associadas à tentativa de suicídio de usuários de cocaína e crack em tratamento, Jornal brasileiro em psiquiatria, 2017.
Francisco Noé Da Fonseca, Ana Paula Soares Gondim, Marta De França Fonteles, Influência dos grupos terapêuticos em cento de atenção psicossocial entre usuários com dependência de cocaína/crack, Saúde em delote, 2014.
Kelly Oliva Jorge, Raquel Conceição Ferreira, Efigênia Ferreira e Ferreira, Ichiro Kawachi, Patricia Maria Zarzar, Isabela Almeida Podeus, Influência do grupo de pares e uso de drogas entre adolescentes brasileiros: um estudo transversal, Cadernos de saúde pública, 2018.
Haroldo Neves De Paiva, Paula Cristina Pelli Paiva, Carlos José De Paula Silva, Efigênia Ferreira e Ferreira, Patricia Maria Zarzar, Consumo de drogas ilícitas como fator de risco para traumatismo dentário em adolescentes, Caderno de saúde coletiva, 2016.

Artigo enviado por:Yuri Nunes

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