Incêndio do Museu Nacional em contexto

O museu mais antigo do Brasil foi reduzido a cinzas no domingo, em um incêndio que destruiu a maior parte dos 20 milhões de artefatos que abrigava. Qual é o significado do fogo e qual é a história do museu?

O museu mais antigo do Brasil foi reduzido a cinzas no domingo, em um incêndio que destruiu a maior parte dos 20 milhões de artefatos que abrigava. Qual é o significado do fogo e qual é a história do museu?

Quando foi construído o Museu Nacional?

Localizado no Rio de Janeiro, o Museu Nacional do Brasil foi criado há 200 anos em 1818 por Dom João VI, o rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e dos Algarves. O então príncipe regente e a família real portuguesa mudaram-se para o Brasil em 1808 para escapar da invasão de Napoleão Bonaparte.

O prédio que abrigou o museu foi o Palácio de São Cristóvão. Construída no início do século XIX, tornou-se residência de Dom João VI e, posteriormente, de seu filho Dom Pedro I, que em 1822 foi coroado o primeiro imperador do Brasil independente. Após a independência, o museu foi renomeado como Museu Real e Nacional. O palácio continuou a ser a residência de Dom Pedro II e da família imperial ao longo do século XIX.

Quantos artefatos foram destruídos pelo fogo?

Acredita-se que o incêndio de domingo tenha destruído quase 90% dos 20 milhões de itens abrigados no Museu Nacional do Brasil.

Que artefatos o museu contém?

As coleções do Museu Nacional exibiam artefatos raros de todo o mundo. Sua coleção egípcia, composta por 700 artefatos, tornou-se a maior da América Latina. O museu também abrigou os restos de 12 mil anos de uma mulher conhecida como “Luzia” – a mais antiga descoberta na América Latina.

O museu apresentava uma rica coleção de artefatos indígenas brasileiros. Transformado em uma instituição de pesquisa, o museu posteriormente adquiriu importantes coleções de geologia, paleontologia, botânica, zoologia e antropologia biológica. Em 1946, a instituição foi incorporada à Universidade do Brasil (renomeada Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1965). O museu tornou-se o local do programa de pós-graduação em antropologia da universidade que formava acadêmicos de todo o mundo.

O museu também abrigava itens pertencentes à família real do Brasil, deixados para trás em 1889, quando um golpe militar republicano pôs fim à monarquia no país exilou a família para a França. A rica coleção real incluiu o sarcófago de Sha-Amun-em-su (mumificado há cerca de 2.708 anos) que foi trazido pelo imperador Dom Pedro II ao Brasil a partir de sua terceira viagem ao Egito em 1876.

O que causou o fogo?

A causa do incêndio ainda está sob investigação, mas o Museu Nacional estava em estado dilapidado, necessitando de atualizações. Sua equipe havia solicitado publicamente a adaptação dos edifícios do museu para proteger e proteger suas coleções. Recentemente, o museu entendeu ter enfrentado problemas com suas calhas e infiltração de água, e uma infestação de cupins: ao contrário de suas contrapartes na Europa e na América do Norte, o museu não tinha sistema de sprinklers. (Sprinkler é um componente do sistema de combate a incêndio que descarrega água quando for detectado um incêndio, por exemplo, quando uma temperatura predeterminada foi excedida.)

Nos últimos cinco anos, o financiamento da universidade diminuiu bastante, o que, por sua vez, reduziu o orçamento do museu. Infelizmente, esta situação não é exclusiva do Museu Nacional; vários arquivos públicos, bibliotecas e museus brasileiros que abrigam inestimáveis ​​coleções de história do mundo permanecem em grande estado de decadência. Há alguns anos, o Arquivo do Estado da Bahia, em Salvador (Bahia), teve que cortar sua eletricidade porque seu telhado com vazamento representava um risco de incêndio. O Museu Paulista (na cidade e no estado de São Paulo), que também depende de financiamento público e é operado pela Universidade de São Paulo, está fechado há cinco anos e ainda está aguardando reformas.

A relação do Brasil com o patrimônio nacional é complicada e o acesso à educação continua sendo uma questão espinhosa no país. Os cidadãos comuns raramente visitam museus e os representantes eleitos muitas vezes não reconhecem a importância de preservar o patrimônio nacional.

Outros incêndios em museus ao longo da história

O Museu Nacional do Brasil é um dos muitos museus, bibliotecas e arquivos destruídos ao longo dos séculos pelo fogo. Em 25 de agosto de 1914, depois de invadir a Bélgica, as tropas alemãs queimaram 300.000 livros e manuscritos mantidos pela Biblioteca da Universidade de Lovaina.

Enquanto isso, em setembro de 1923, um terremoto danificou uma parte significativa da Biblioteca da Universidade Imperial em Tóquio.

Em 1966, um incêndio destruiu uma parte importante das coleções da Jewish Theological Seminary Library, em Nova York.

Em junho de 2018, um incêndio destruiu o Arsenal de Aberdeen, que abrigou o Museu de História de Aberdeen – centenas de artefatos inestimáveis ​​foram perdidos.

A BIBLIOTECA

Desbloqueie todo conteúdo exclusivo de altíssima qualidade para assinantes do Mistérios Literários.

Marcelo Júnior
Escritor, CEO Fundador & Diretor Proprietário do Mistérios Literários.

Artigos Relacionados

Translate »